terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Amanda de Banda


Amanda Julieta, êta, êta!
No carnaval de Salvador, êta
Bahia porreta, não tem Pierrot
não tem careta, vamos pular
atrás do trio da rabiboca da
parafuseta!

Amanda Julieta, au, au!
Não tem trio, não tem carnaval
só quer descer no balacobaco e
rebolar com o Lobo Mau.

Amandíssima, Amandinha
tão bonitinha! Só quer beber
whisky e fazer gracinha,
quando passa dos três copos
só fala da Fulaninha!

(Bárbara Moreira)

Bah é minha amiga, estudante de jornalismo. Na sala, é o burburinho; na minha vida, o mal caminho. risos
Bah, B., Barbrão, Marília Gabriela, você é linda! Muito, muito obrigada com um monte de beijo por todas as risadas que eu dei...

A.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010




Quero o direito ao choro e ao grito, para que minha alma possa expressar seu momento de angústia-mor, que é, ironicamente, sempre o instante da fala. Porque a angústia é a palavra, o desespero é a palavra – e a palavra é o cerne de todo indivíduo. Nós já nascemos palavreados e sofridos, só não sabemos falar.
Sou muito mais feliz quando estou em silêncio. Mas há um ser estranho dentro de mim que, mudamente, se constrange com a minha alegria. Como aquela mulher que, de tão feliz, se matou. Um dia eu também me matarei surdamente – e a palavra servirá de corda para meu pescoço e lâmina para meus pulsos.
Escrever é ter nas mãos o poder ingrato de eternizar toda a dor que não se quer sentir e toda a alegria que jamais se sentirá novamente.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Uma história de sentimentos ou Uma declaração ou A grande descoberta

Terminei de ler seu blog e acho muito sincero te dedicar mais algumas de minhas palavras – porque as suas estão todas dentro de mim, me inquietando, eu aqui maravilhada diante do computador. E porque não lhe dedicar também a minha paixão? É paixão, sim, e não me envergonho dela. Poderia também lhe falar de amor sem ser hipócrita – porque suas mãos pequenas tocaram suaves e deusas o meu coração. E o colocaram em teu colo, cheio de sangue e de mim. Sabe quando a gente lê Clarice ou Adélia e fica encantada e sente que elas nos são e se corrói de um amor que não sabe explicar? Foi bem assim com você. Terminei seu blog e fiquei com a certeza de ter lido a sua alma. E de ter dançado com sua alma nas minhas madrugadas vazias. Nossas duas almas nuas bailando em frenesi.

“A paixão cresce na mesma medida que a rejeição”, você disse. Fiquei boba, ansiosa, feliz, ousada, leve e, por fim, infeliz. Descobri-me só – e tão só. Duas olheiras resolveram brincar em meu rosto. “Mas isso foi sempre assim”, você completa, “e sempre doerá”.

Eu sei.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Minha sede secreta

Eu tenho uma sede que nenhuma água cessa e que dói como dói uma ferida aberta. Uma sede que consome o meu corpo inteiro e que me seca. Minha sede que sangra. Prefiro falar da minha sede porque beber é melhor que devorar. E, se te bebo, te bebo até a alma, até que a última gota da sua alma de poeta me sacie. Enquanto a madrugada me queima vermelha, você me arde.
Eu tenho uma sede que pede mais que um rio e que só eu e você sabemos do que é.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Declaração pós-guerra à minha menina


Eu estava com medo, muito medo, sabe? Lembra daquele dia que vi uma aranha na parede e quase fiquei muda? Eu estava com um medo assim, um medo que emudece. Mas agora a guerra cessou dentro de mim e eu posso gritar. Não se magoe e nem deixe que meu grito estridente lhe machuque o ouvido. Ou deixe, se quiser, porque eu li agora pouco que é melhor chorar pra fora que pra dentro.
Dessas coisas de chorar eu sei muito bem. Já até me acostumei, sabia? Essa é minha primeira declaração pós-guerra para você. Não, aquela coisa sobre liberdade de ser feliz lá no bar foi no meio da guerra ainda. Não vale e na era o que eu deveria dizer. Eu disse assim: que amar, amar de verdade, é ter liberdade, tanta liberdade e, mesmo assim, querer estar ali. Era sim o que eu queria dizer, não foi a vodca. Quando você respondeu que eu não deveria fumar eu fiquei triste. Mas só porque eu estava no meio da guerra e queria fumar.
Um soldado precisa se agarrar em algo para voltar para casa!
Mas agora também não quero mais e não é por causa de você e do seu puritanismo. Seu puritanismo é até bonito, só que toda censura é burra – alguém disse. É que antes de ser você eu sou eu e acho que talvez você tenha esquecido isso.
Enquanto você viaja, minha menina, eu fico aqui gritando. Vou esperar que você volte quando ainda nem você sabe, vou levando e gritando sozinha, que gritar por telefone não é muito gentil. E sei que gentil não é a palavra mais certa, mas estou mesmo me confundindo com as palavras. Vou gritando aqui, sozinha e frágil e cheia de vontade de te contar que voltei da guerra gravemente ferida. Um grito mudo e estridente que eu ainda não sei como dizer...
Será que você ainda está me lendo?
Engasguei.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010


Rasgar a alma não dói
Porque os deuses do amor são outros
E cada verso é mais enfeitado.


Dói mesmo nunca ter saído
Da superfície frágil de uma noite
Onde o não precede a alvorada
E o sim, inglório em sua utopia
Germina o silêncio.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Do Fundo da Minha Insignificância


Guardei aquele poema feliz para postar no exato momento em que suas palavras doces calassem as minhas e que você até roubasse a minha voz para dizê-las a outro alguém. Mas devo ter perdido o poema-suicídio - sim, a felicidade também é uma forma de suicídio - na bagunça dos meus papéis, ou até tê-lo queimado quando acendi aquele último cigarro, para acizentar a minha dor.

E porque não tenho poema e nem ópio, quero o grito silencioso de ter a alma tão rasgada quanto os versos que um dia te escrevi.