Desde 2008, quando criei o Pausa, este blog tem sido nada mais que uma grande pergunta ao mundo. E eu - a blogueira que já passou por poucas e boas dentro da sua própria cabeça e dentro do universo infinitamente psicodélico das palavras - e eu tenho tenho me desesperado algumas muitas vezes por tanta pergunta que segue sem resposta. Mas o negócio é que eu cansei de me desesperar e agora ando desenvolvendo as minhas próprias teorias de vida.
A vida, por exemplo. Decido voltar ao blog porque lembrei o quanto gosto de escrever. E quero falar sobre a vida que já tanto me angustiou aqui. Eu já sei qual é o sentido de tudo, esse ciclo perverso e indefinido começa a fazer sentido.. oh, meu deus, eu usei a palavra "perverso"... não, Amanda, não faça mais isso.. você não prometeu que ia mudar o tom da prosa? você não prometeu que ia aceitar aqueles antigos conselhos de milhões de anos atrás e escrever coisas mais sutis? há milhões de anos atrás, eu sentei em uma pedra e sorri, com as mãos feridas. ah, então é verdade, cria-se asas e continua-se com os pés fincados no chão por puro vício de existir... eu queria escrever sobre a borboleta amarela que pousa sobre si mesma e - por sorte ou predestinação? - consegue não machucar as asas... queria falar sobre a minha grande teoria, sobre os venenos... ah, os venenos... amanda e seus venenos doces, que machucam e adoçam a língua... por favor, não vá além... não fale de venenos, você não é imortal! fale da sua teoria, das cores que te cercam, de todo o sentido de estarmos no mundo para amar o mundo... fale das cores!
- sim, as cores. um dia, falarei das cores - com alguma doçura e com o coração pulsando nos olhos. mas, por enquanto, sigo esse ciclo em cegueira total, a visão perfurada por tanta luminosidade da vida. terá fim, essa loucura? permaneço cega dentro de mim mesma. e sorrio dentro de minha lucidez mortal.
