"Gosto de venenos porque sou imortal.
Escrevo coisas que sangram mais que pele ferida
- e sou feliz.
Feliz como a mãe que traz ao mundo
o filho prematuro e lhe vê sorrir.

As palavras são mundos distantes e sinceros,
onde invento o meu irreal..."


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Uma teoria ou Sobre a cegueira que me cerca

Desde 2008, quando criei o Pausa, este blog tem sido nada mais que uma grande pergunta ao mundo. E eu - a blogueira que já passou por poucas e boas dentro da sua própria cabeça e dentro do universo infinitamente psicodélico das palavras - e eu tenho tenho me desesperado algumas muitas vezes por tanta pergunta que segue sem resposta. Mas o negócio é que eu cansei de me desesperar e agora ando desenvolvendo as minhas próprias teorias de vida.
A vida, por exemplo. Decido voltar ao blog porque lembrei o quanto gosto de escrever. E quero falar sobre a vida que já tanto me angustiou aqui. Eu já sei qual é o sentido de tudo, esse ciclo perverso e indefinido começa a fazer sentido.. oh, meu deus, eu usei a palavra "perverso"... não, Amanda, não faça mais isso.. você não prometeu que ia mudar o tom da prosa? você não prometeu que ia aceitar aqueles antigos conselhos de milhões de anos atrás e escrever coisas mais sutis? há milhões de anos atrás, eu sentei em uma pedra e sorri, com as mãos feridas. ah, então é verdade, cria-se asas e continua-se com os pés fincados no chão por puro vício de existir... eu queria escrever sobre a borboleta amarela que pousa sobre si mesma e - por sorte ou predestinação? - consegue não machucar as asas... queria falar sobre a minha grande teoria, sobre os venenos... ah, os venenos... amanda e seus venenos doces, que machucam e adoçam a língua... por favor, não vá além... não fale de venenos, você não é imortal! fale da sua teoria, das cores que te cercam, de todo o sentido de estarmos no mundo para amar o mundo... fale das cores!

- sim, as cores. um dia, falarei das cores - com alguma doçura e com o coração pulsando nos olhos. mas, por enquanto, sigo esse ciclo em cegueira total, a visão perfurada por tanta luminosidade da vida. terá fim, essa loucura? permaneço cega dentro de mim mesma. e sorrio dentro de minha lucidez mortal.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Queria esquecer-me apenas por alguns minutos que sou homem - homem cansado e fragilizado pela força de viver, pelo esforço incalculável de manter-se respirando a cada fração de segundo - homem pequeno, como todos os homens o são em suas tristes proporções.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

relatório de um pequeno milagre

Arrancar a alma com as mãos trêmulas - de dentro para fora, como deve ser. Tirá-la, enfim, de um espaço miúdo e dar a ela o mundo e a vida. Sei que me complico quando uso as palavras e sei que, em seu universo paralelo, posso não ser devidamente compreendida. Mas quem quer a compreensão, quando a outra opção é o delírio?
Aqui te falo de coisas muito maiores do que eu, de coisas além do meu controle humano, de coisas além do meu infinito cansaço da vida. Te escreverei um livro inteiro de perguntas, um livro que você jamais poderá responder e aprenderá a apreciar em silêncio.
Sente essa coisa líquida correr por dentro das suas veias, percorrendo um incansável caminho que sempre a levará ao começo de tudo? É sangue! - eu grito. Voltamos, pois, ao começo do mundo, há milhares e milhares de histórias antes de uma grande explosão dar início a toda essa loucura. E tudo o que nos resta é um pouco de embriaguez, como arrancar a alma do fundo do poço, da lama, da infinita tragédia de existir. E, enfim, entregá-la ao delírio suave dos bêbados e dos loucos. Ao delírio suave de um mundo inventado.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Esse não-pertencimento louco alivia-me a tragédia do existir com uma dor equivocada. Não tem jeito: só sei falar da angústia que me cabe, da falta e do silêncio - do contrário, não haveria palavra.
Pessimista nata, perambulo pelos dias unicamente pelo dever do movimento. Uma vez, em algum tempo distante antes do mundo ser mundo, me obrigaram a ser feliz. Sorri tímida, desconcertada, permiti-me chorar e aflorar com algum prazer a minha insensatez.
De todas as mentiras, restou-me uma verdade que me mata lentamente de tanta lucidez: nunca teve jeito, mesmo antes do mundo ser mundo, já havia essa sensação claustrofóbica de ser. E mesmo antes de toda a claustrofobia de estar vivo, já havia a vida.

sábado, 13 de agosto de 2011

Sobre a falta de tempo para escrever

De repente, vi-me contra a parede de uma vida cada vez mais atribulada e esquecida. Seria dramático demais dizer "esquecida"? Talvez seja... Mas é assim, eu juro que é assim, porque você vive todos os dias e, no final das contas, não viveu foi nada. E, depois, só lhe resta ficar todo balzaquiana e existencialista, perguntando-se incansavelmente a si mesma dos mistérios (que não são propriamente mistérios) e das razões.
Viver ou deixar-se viver?

Eis a questão.