"Gosto de venenos porque sou imortal.
Escrevo coisas que sangram mais que pele ferida
- e sou feliz.
Feliz como a mãe que traz ao mundo
o filho prematuro e lhe vê sorrir.

As palavras são mundos distantes e sinceros,
onde invento o meu irreal..."


quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Esse não-pertencimento louco alivia-me a tragédia do existir com uma dor equivocada. Não tem jeito: só sei falar da angústia que me cabe, da falta e do silêncio - do contrário, não haveria palavra.
Pessimista nata, perambulo pelos dias unicamente pelo dever do movimento. Uma vez, em algum tempo distante antes do mundo ser mundo, me obrigaram a ser feliz. Sorri tímida, desconcertada, permiti-me chorar e aflorar com algum prazer a minha insensatez.
De todas as mentiras, restou-me uma verdade que me mata lentamente de tanta lucidez: nunca teve jeito, mesmo antes do mundo ser mundo, já havia essa sensação claustrofóbica de ser. E mesmo antes de toda a claustrofobia de estar vivo, já havia a vida.

1 comentários:

Dani Linard disse...

"... perambulo pelos dias unicamente pelo dever do movimento."

admiro a forma pela qual essa moça escreve, falando de alguma forma um pouco de mim... Identifico-me!