"Gosto de venenos porque sou imortal.
Escrevo coisas que sangram mais que pele ferida
- e sou feliz.
Feliz como a mãe que traz ao mundo
o filho prematuro e lhe vê sorrir.

As palavras são mundos distantes e sinceros,
onde invento o meu irreal..."


segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

relatório de um pequeno milagre

Arrancar a alma com as mãos trêmulas - de dentro para fora, como deve ser. Tirá-la, enfim, de um espaço miúdo e dar a ela o mundo e a vida. Sei que me complico quando uso as palavras e sei que, em seu universo paralelo, posso não ser devidamente compreendida. Mas quem quer a compreensão, quando a outra opção é o delírio?
Aqui te falo de coisas muito maiores do que eu, de coisas além do meu controle humano, de coisas além do meu infinito cansaço da vida. Te escreverei um livro inteiro de perguntas, um livro que você jamais poderá responder e aprenderá a apreciar em silêncio.
Sente essa coisa líquida correr por dentro das suas veias, percorrendo um incansável caminho que sempre a levará ao começo de tudo? É sangue! - eu grito. Voltamos, pois, ao começo do mundo, há milhares e milhares de histórias antes de uma grande explosão dar início a toda essa loucura. E tudo o que nos resta é um pouco de embriaguez, como arrancar a alma do fundo do poço, da lama, da infinita tragédia de existir. E, enfim, entregá-la ao delírio suave dos bêbados e dos loucos. Ao delírio suave de um mundo inventado.

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